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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

A ÁGUA - Paulo Bomfim



Despe, na solidão da tarde,
Tua roupagem manchada de quotidiano,
E deixa que a chuva molhe teus cabelos
E vista teu corpo de escamas de prata.
Pousa, em teus ombros, o manto dos lagos
E colhe no cântaro de tuas mãos
A música dos dias que adormeceram
No fundo de teu ser.
Mármores líquidos moldarão teu corpo.
Nuvem,
Penetrarás a carne da manhã.


Publicado no livro Quinze Anos de Poesia (1958).

In: BOMFIM, Paulo. Antologia poética. São Paulo: Martins, 1962. p.7

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