quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

VIDA SOB NOSSOS CUIDADOS Partes no Todo

Outono. Os dias encurtando, vegetação a encolher-se; clima frio, vida embrulhada, natureza em descanso – aparentemente – preparando-se para o futuro - o renascer. Por que, então, perder-se no presente? Até o negativo é roupagem de promessa. Sempre foi - assim será. Não é a alternância de estações uma forma de humildade a conter uma fecunda promessa? De fato, somos quais ‘folhas’ de árvore, hoje balançando no alto, amanhã prostradas no chão, abrindo espaço para futuras gerações. Gratos ao efêmero na vida, sejamos acolhedores do milagre que reinicia. Finitude abençoada. Pior seria, caso assim não fosse: definharíamos sem função para o futuro. Se a história deve tanto a nós, a natureza nos sustenta, enquanto a vida vale pela felicidade do bem-estar. Certo é que nosso existir se artificializou bastante. O planeta nos há de ameaçar e até o clima se desequilibrar? A tecnologia nos confronta com o que tanto abominamos: terremotos, guerras, violências, desastres - irresponsabilidades cidadãs, políticas e sociais. Formas tantas de desrespeito, de exclusão e de crueldade. Para muitos a degradação aumenta, a vida se mostra violenta e, havendo ameaças de toda espécie, mesmo assim, nosso mundo é melhor que em todos os tempos que nos precederam. Se as folhas caiam da árvore, ficando essa exposta em sua nudez, no interior da mesma nova vida germina promissora. Na convivência, os direitos progrediram, a natureza é tratada com mais respeito, o nível da vida em geral tem melhorado. No começo do século XX, éramos 1 bilhão; em 2050 seremos quase 10 bilhões. Nos primeiros 18 séculos da era cristã, o nível de vida e a média de idade permaneceram iguais. Como era difícil e sofrida a vida de nossos antepassados! De tudo que, hoje, nos castiga e ameaça, pouco restará. Afinal, temos alguma semelhança com as folhas secas de árvore, que o vento usa como brinquedo no chão. Porém, somos mais, bem mais, sobretudo ao nos fazermos promessa para o futuro, mostrando-nos responsáveis. Afinal, o planeta Terra é nossa ‘Mãe’. Começou há quase 14 bilhões de anos! Devemos tudo a estrelas, que pereceram bilhões de anos atrás. Surgiu a matéria, aglomerando-se e girando, dando origem a bilhões de galáxias com suas estrelas que ninguém conta. Há quase 5 bilhões de anos surgiu o sol e seus planetas, entre eles a ‘terra’, nossa mãe, coberta de água. Sua atmosfera é rica em oxigênio que nos protege dos bombardeios da radiação solar e dos raios cósmicos. Isso possibilita a vida que explode em uma criatividade infinita, usando o presente para criar o futuro. Esquecidos de nossas origens, nos mostramos ingratos e rebeldes. Oxalá nos façamos alunos agradecidos da História, não só da natureza, mas também da civilização. Elas são as mais valiosas mães, sem elas nossa mãe nem existiria. Frei Cláudio van Balen Cfr: A.C.Sponville, Comme les feuilles des arbres, Le Monde des Religions 2013, p.82 M. Gleiser, Pai Cosmo, mãe Terra, FSP, 11/05/14

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