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sábado, 22 de maio de 2021

O SÉCULO XXI


Por: Meishu-Sama
Editoria: Ensinamento Diário

   

Acordei às seis horas da manhã, ao som de uma música bem baixinha, que parecia sair do travesseiro. Ela foi ficando cada vez mais alta, e, como eu não conseguia dormir, levantei-me. "Que interessante! Um despertador inserido no travesseiro!" - pensei. Lavei o rosto e tomei a refeição matinal, uma mescla de pratos japoneses e ocidentais: sopa de “misso”, pão de arroz, um pouco de peixe e carne, verdura, café, chá verde etc.

Em seguida, fui ler o jornal e vi algo muito interessante. Na primeira página, havia, em destaque, um artigo sobre a campanha eleitoral do Presidente Mundial. O dia da eleição estava próximo.

Publicavam-se os nomes e as fotos dos candidatos de diversos países: Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Japão, União Soviética (cujo nome era outro) e países da Indochina e da América do Sul. Estava escrito que, ao que tudo indica, o candidato dos Estados Unidos ficaria em primeiro lugar.

Na página três, deparei com algo inesperado: quase não existiam matérias sobre crimes. Dava-se grande destaque às diversões: uma profusão de artigos versava sobre esportes, turismo, música, belas-artes, teatro, cinema e outras artes. A edição estava muito bem elaborada. Os artigos não eram prolixos, nem entediantes, como se dava nos jornais do passado, mas redigidos numa linguagem clara e concisa, restringindo-se ao necessário. Assim, gastava-se pouco tempo na leitura; percebia-se que havia cuidado para não cansar o leitor.

Outra nota diferente em relação aos tempos antigos, era a quantidade de fotos: cinquenta por cento de artigos e cinquenta por cento de fotos. A página de anúncios e classificados também era muito diferente. Não havia nenhuma propaganda de remédios, e a de cosméticos era mínima. O que havia em abundância era propaganda de livros e artigos relacionados às vestimentas, alimentação, moradia, maquinaria, lançamentos de novas invenções etc. Da mesma forma, a parte escrita apresentava-se reduzida e com muitas fotos.

Por essa razão, eu li todo o jornal em aproximadamente quinze minutos. Terminei a leitura agradavelmente. E não era para menos, pois a janela era ampla e a sala estava bem clara. Não havia nenhuma instalação de segurança: explicaram-me que assaltantes e ladrões eram histórias do passado. Por conseguinte, achei que, de fato, aquele era um mundo maravilhoso.

Peguei o carro e saí. Estava muito bem vestido e fiquei surpreso com a beleza da cidade. Parecia um jardim florido. Engraçado é que, além dos automóveis, não se via nenhum outro tipo de condução, o que não era de se admirar, pois os trens trafegavam pelo subsolo; as ruas eram só para os automóveis. Além disso, estes eram silenciosos.

Achando estranho, olhei bem e notei que a rua parecia estar coberta com cortiça. Observando melhor, percebi tratar-se de um material elástico e bastante macio, que parecia ter sido preparado com uma mistura de borracha e serragem. Não havia como ocorrer poluição sonora, porque, além desse piso especial e dos pneus de borracha, havia dispositivos especiais em volta das janelas e outras partes, para isolamento acústico. Além do mais, se chovia, a água se infiltrava rapidamente no chão e, por conseguinte, não se formavam poças.

A força motora que movimentava os carros era gerada por um minério do tamanho da ponta de um dedo. Algo realmente extraordinário, porque conseguia fazer com que um carro percorresse várias dezenas de milhas. Esse minério assemelhava-se ao urânio e ao plutônio, cuja aplicação se baseava no princípio da desintegração do átomo.

Assim que entrei no carro, percebi que não havia motorista. Nem era preciso, pois bastava o passageiro segurar uma barra com uma das mãos para o carro movimentar-se. É claro, porém, que algumas pessoas se davam o luxo de ter motorista. [...]

Meishu-Sama - Luz do Oriente, vol. 1 [trechos]


O SÉCULO XXI [continuação]

[...] Enquanto eu fazia uma coisa e outra, parece que ia anoitecendo, mas não se sentia que já era noite. Aliás, não era para menos, pois nas ruas, em determinados espaços, existiam alto postes de iluminação a arco voltaico. Os raios de luz eram diferentes dos que são emitidos pelas lâmpadas: muito mais claros, um brilho surpreendente. A sensação é que se recebia a luz do Sol em plena tarde, e nenhuma das cores sofria modificação.

Caros leitores, gostaria que imaginassem a cidade que acabei de descrever. As mais diversas flores, em plena floração, exalavam um perfume agradável por toda a parte, e árvores carregadas dos mais variados tipos de frutas. O silêncio era tão grande que não parecia estar em uma metrópole. Que passeio agradável!

Olhando as vitrines das lojas, eu tinha a impressão de estar vendo uma exposição de belas-artes. Naquela cidade, até as grandes lojas conseguiam suprir suas necessidades com apenas um ou dois funcionários, visto que as mercadorias tinham os preços expostos, e qualquer pessoa podia pegá-las e examiná-las. Se os fregueses ficavam satisfeitos com o preço e a explicação do folheto, depositavam o dinheiro e a etiqueta na caixa coletora, colocada à entrada da loja.

O embrulho era feito automaticamente por uma máquina e, de acordo com o tamanho do objeto, era amarrado com uma fita, tornando-se fácil de carregar. Dessa forma, era realmente muito fácil fazer compras. Como sentisse fome, entrei num restaurante. Não se avistava nenhum atendente. De um lado da entrada, estavam enfileirados pratos apetitosos, todos com uma identificação: A, B, C... Sentei-me a um lugar desocupado e, olhando para a mesa, vi que era numerada. Depois, apertei um dos botões instalados no canto. Naturalmente, pressionando o botão correspondente ao número da mesa e à identificação do prato, este aparecia rapidamente.

Olhando com mais atenção, notei que, no meio da mesa, havia uma abertura mais ou menos do tamanho do prato, que por ali saía automaticamente. Assim, tudo que eu pedia subia logo em seguida. Não havia necessidade de nenhuma explicação; o serviço era muito rápido, muito agradável. Eu tinha ouvido falar que esse método já existia no século XX, mas eu achava inconcebível que estivesse tão aperfeiçoado. Obviamente, as bebidas saíam pela mesma abertura, mas as alcoólicas só eram liberadas até certo limite.

Observando melhor, vi que havia mais um botão. Nele estava escrito: "Conta". "Ah, então aperta-se esse botão..." Assim fiz. Imediatamente, surgiu a notinha. Coloquei a quantia estipulada, e logo apareceu o recibo. Que felicidade! Fiquei satisfeito e como era cedo, resolvi ir a um teatro.

A quantidade de casas de espetáculos era surpreendente. Qualquer cidade os possuía em toda parte, e, para meu espanto, o ingresso era muito barato. Imaginando que haveria prejuízo, interpelei o gerente.

Ele respondeu que todos os teatros eram administrados por milionários como obras sociais e, assim, nem seria preciso cobrar ingresso. A arquitetura e as instalações eram magníficas, ostentando muita beleza e qualidade.

Não se permitia a entrada de espectadores além da quantidade de assentos, de modo que se podia assistir às apresentações confortavelmente. Quando entrei, estava havendo uma exibição cinematográfica curiosíssima. Exibiram-se dois filmes produzidos por uma companhia nipo-americana - um sobre os Estados Unidos e outro sobre o Japão.

O primeiro era um filme histórico que retratava o período transcorrido desde a época em que os puritanos da Inglaterra chegaram aos Estados Unidos e começaram a desbravar a terra, até a Guerra da Independência. O segundo mostrava um personagem que poderíamos chamar de cientista em religião, o qual revolucionou a medicina e teve uma vida de lutas incessantes, mas solucionou o problema da doença. Ambos os filmes eram muito interessantes. Havia também uma atração à parte, exibida em uma televisão. Parecia uma peça representada em algum teatro. [...]

Meishu-Sama - Luz do Oriente, vol. 1 [trech

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