Meu cavalo é fogoso e valente, Pisa firme, é veloz no correr. Salta cercas e vales profundos o seu passo tolher.
A espingarda, elegante e perfeita, é uma peça de fino lavor. A capricho em Liége foi feita. Para orgulho de seu bom caçador.
Quando toco a buzina afinada. Todos ouvem nos montes de além! Logo acode a ligeira perrada.
E redobro o meu eco também:
Vai Peri, vai Jaci, vai Diana, vai Senado e Fuzil! Vai Sultão!
Busca "nego", aqui vai meu Belmonte. Aqui "nego", aqui "nego" , aqui cão!
Todos sabem, meu tiro é seguro. Salte, embora, veloz o mateiro! Se ele acaso destorce da espera,
Vai cair em poder do perreiro!...
Se a Diana lá vai na canseira.
Já na frente o Senado apontou...
Cala a boca Didico, olha agora...
Cerca embaixo, que já levanta...
Corre cá compadre Zé Torres!
O veado amoitou no capão!
O Belmonte passou na perdida.
Até perto do rancho do João!
Desamoito! É Fuzil!... Eta ferro!...
A perrada juntou!...Que batida!...
Vem pra ca? Deixa vir, que não erro!...
Vem tímido, meu Deus!... Eta vida!...
Tac...Tim...Tac...Tim...Tu....Tru...u,
Vim falar? Está seguro o veado!...
Foi preciso queimar dois cartuchos!
Deus me livre! Eta bicho danado...
Zé Moreira, do alto do açude.
É que viu como foi a caçada.
Ele disse que viu o mateiro,
Minjolando passar na baixada!
O Eliezer é menino de um olho
E não quer que chumbo se perca!
Foi por isto, atirar no veado
Enrolado no arame da cerca!
Mas o bicho é velhaco e treteiro!
Sabe coisas que a gente nem sonha...
De dois pulos lhe passa entre as pernas!...
Ai meu Deus, Eliezer, que vergonha!
Eu não sei!... Mas, o Juca do Carmo
Estava pouco acima de mim
Só se deu lá pra grota onde eu puz
Juca Torres mais Zé Valentim!...
Porque,se ele estivesse no alto
Concerteza que ouvia a batida,
E, atirando, ainda mesmo de longe,
A perrada não dava perdida!

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