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quinta-feira, 22 de junho de 2017

"Uai,sô!": pesquisa mostra a origem do “mineirês” Estudo detalha características que formaram o jeito de falar

A fala mansa e cheia de trejeitos dos mineiros é reconhecida nacionalmente e já virou até mesmo tema de poesia. Não há turista que passe por Minas Gerais sem notar a mania do "uai" ou que tenha dificuldades em entender uma frase rápida e cotidiana, mais ou menos assim: "pó pô pó"? Traduzimos: significa simplesmente "posso pôr o pó"? [frase usada na hora de fazer café]. E o sotaque mineiro ainda se mistura: em cada ponta do Estado, é possível ouvir novas expressões e diferenças na fala.

O "mineirês" acabou servindo até como tema de pesquisas. Jânia Martins Ramos, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordena há quase seis anos o projeto A Construção de Um Dialeto: A Língua Portuguesa em Minas Gerais.

Ela explica que existem duas visões científicas sobre as origens e diferenças do sotaque mineiro. A primeira divide Minas Gerais em quatro áreas: o Sul de Minas, que recebe influência do falar paulista, o Norte de Minas, que carrega herança baiana, a Zona da Mata e Vertentes, com características do falar fluminense, e a região central, que agrega a capital e antiga zona de mineração, como Ouro Preto e Mariana, considerada a localização do sotaque puro.

- O nosso projeto pretende investigar qual destas duas hipóteses corresponde ao uso da língua portuguesa no Estado de Minas nos dias atuais. Para isto, coletamos dados das quatro áreas e fazemos a comparação dessas amostras. Estamos nos baseando em fenômenos linguísticos.

Herança dos escravos

Patrícia Cunha Lacerda, professora da faculdade de letras da Universidade Federal de Juiz de Fora, estudou as características do sotaque em sua tese de pós-doutorado, mas  embasou sua pesquisa na divisão em três regiões do Estado: Sul de Minas, Norte de Minas e Zona da Mata e Vertentes, área que especificou no trabalho. Por meio de documentos históricos, ela identificou os traços do falar dos escravos que permanecem na linguagem mineira.

- A monotongação do ditongo - dizer "oro" em vez de "ouro" ou “cadera” no lugar de cadeira - e o auteamento da vogal pretônica - falar "minino" no lugar de "menino", por exemplo, estão muito presentes no sotaque do Estado.

A pesquisadora destaca ainda os processos de imigração como fatores que contribuíram para construir o jeitinho de falar do mineiro. Já na capital, o mapeamento se complica.

- Belo Horizonte acaba tendo um falar único e peculiar por ser uma história recente. Vieram pessoas de vários Estados do Brasil que contribuíram para configurar o sotaque local.

Por trás de um jeitinho tão único de falar, só poderia haver mesmo muita história "boa dimais da conta", repleta de "causos" que aconteceram "otro" dia mesmo. E será que “ocê” sabe entender “direitim” o que os mineiros dizem? Então clica logo no “trem” aí embaixo, uai!

11/06/2012

Você entende o "mineirês"?

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